Arquivo para outubro \13\UTC 2010

Fim do meu recorde de 35 anos

Antes de mais nada, devo avisar: esse é um post longo, muito longo. Continue lendo por sua conta e risco. 🙂
Depois de 35 anos no Brasil, na terça-feira da semana passada, dia 5 de outubro de 2010, fui assaltado pela primeira vez. Como dizem todos que já foram vítimas, foi tudo muito rápido. Eu estava distraído num sinal, com os vidros do carro abertos e o indivíduo chegou e ameaçou me dar um tiro, com a mão por baixo da camisa. Se ele estava ou não realmente armado, só a ameaça psicológica de ter minha vida em risco, foi o suficiente para me sentir acuado e, em seguida, roubado. Graças a Deus, não houve nada demais. Tô vivo, sem meu smartphone, mas tô vivo. E isso é o que importa.
Até agora (uma semana depois), ainda fico pensando em tudo que aconteceu. Ficam vindo dezenas de ideias idiotas de como eu poderia ter reagido ou o que poderia ter feito pra evitar o ocorrido. Também fico repensando se ele realmente estava armado e me sinto um idiota. Fico também me sentindo culpado por não estar, como sempre faço, com os vidros fechados. Vejam só, fico me culpando por algo que simplesmente deveria ser meu direito: ter a liberdade de escolher entre dirigir com os vidros abertos ou não. Mas sei que essa reclamação soa como idiotice, já que estamos no Brasil.
Mesmo com tudo que senti – revolta, raiva, sensação de impotência, frustração, culpa e tristeza – não sou do tipo que deseja pegar o assaltante pra dar uma surra e “matar” (aqui colocado como exagero, lógico). Mas depois que senti na pele a experiência de ser assaltado, consigo entender melhor porque algumas vítimas reagem assim e confesso que realmente tive vontade de dar uma surra ou pelo menos uns murros caso encontra-se o infeliz. No entanto, sei que existe uma série de fatores sociais que contribuíram para que ele fizesse o que fez. Além, é claro, do mau caráter do indivíduo.
Infelizmente, também não consigo (ainda) me engajar em nenhum programa social pra tentar mudar essa situação, ficando meramente nas doações e contribuições a entidades beneficentes. E por mais utópico que seja, ainda acredito que se cada um de nós fizesse a sua parte, a situação social do Brasil poderia estar bem melhor. Mas, por mais contraditório que soe, acho que vai levar centenas de gerações pra que isso mude. Porque todos nós sabemos que quem tem o poder de fato não quer mudar nada nesse país. Exceto o rendimento de suas contas bancárias.
Perdi meu smartphone (e meu recorde de 35 anos sem nenhum assalto 🙂 ) mas ganhei ainda mais vontade para ir embora do país e fazer de tudo (ou quase tudo :p ) para me manter no Canadá o quanto eu puder. Porque por mais difíceis que as coisas sejam por lá (e tenho consciência que elas serão), ainda serão mais fáceis quando comparadas com a ameaça de levar um tiro por conta de um celular.
Graças a Deus (e ao processo de imigração canadense), tenho a opção de sair do Brasil. Mas me preocupo com meus familiares e amigos, que não tem essa opção. Agora, mais do que nunca, a insegurança se tornou um dos principais motivos para irmos embora o quanto antes.
Me perdoe pelo post longo e obrigado por ler até o final.
Abraços e melhor sorte pra todos nós.
Casão
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Canadian life

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Tiquinho

Casal cearense com um filho daschund rumo ao Canadá, em busca de mais segurança, qualidade de vida e esquilos pra perseguir. :D

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